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domingo, 7 de agosto de 2011

Dane-se as boas intenções!



Eu conheço várias pessoas bem intencionadas. Escuto até algumas lamúrias por parte delas de como gostariam de ajudar os mais necessitados ou  sonhos bem planejados para quando elas ganharem na mega sena e tiverem dinheiro de sobra. A maioria diz que vai construir um orfanato, um asilo e um depósito de animais abandonados. 
Tudo isso elas vão fazer, vão ajudar, vão alimentar, vão se importar com os outros, um dia quem sabe, por enquanto a vida “tá difícil”.
Escuto dessas pessoas como está difícil manter o padrão de vida, comprar uma casa maior, trocar o carro todo ano, levar o filho pra Disney, ir ao salão toda semana fazer unhas e cabelo, comprar todas as roupas de que precisam, entre outros sofrimentos. Sim, a vida “tá muito difícil”.
Agora, se a vida está difícil pra quem pode manter supérfluos, imagina pra quem não tem o básico?! Como “tá difícil” ter um teto pra morar, como “tá difícil”  fazer uma refeição ao menos no dia, como “tá difícil” arrumar um emprego, como “tá difícil” ter uma roupa digna e limpa para pedir um trabalho…
Com toda educação que recebi: – Que se dane as boas intenções! Delas, como diz o ditado “o inferno tá cheio”. Só a intenção não adianta nada, o que precisamos mesmo é de ação, de comprometimento.
Precisamos por alguns momentos deixar de nos preferir, de nos dar total prioridade e enxergarmos que o nosso supérfluo, o nosso desnecessário pode ser transformado no básico, no necessário, na ajuda que tira do poço um semelhante.
Alguns dizem que não tem nada a ver com  vida dos outros, que trabalham duro todos os dias para terem seus privilégios e que não vão abrir mão deles porque alguém não se esforça para ter uma vida melhor.
Uma verdade bastante conveniente para quem nunca passou por dificuldades profundas na vida. Quem já passou pela situação de ter como única ajuda a atitude de alguém,  rezou por isso, recebeu a ajuda e através dela conseguiu se erguer e mudar  a sua vida, sabe o quanto é importante e urgente a caridade.
A caridade é diferente da esmola.
No passo que a esmola humilha, a caridade dá dignidade. Praticar a caridade significa não se colocar sempre em primeiro lugar. Algumas ajudas serão financeiras porque todos precisam de dinheiro para viver, outras serão de tempo, porque todos nós precisamos saber que alguém se importa com o nosso bem estar.
Ajude o próximo da forma que você puder, mas ajude. E o próximo não é seu irmão, ou seu amigo. O próximo você não conhece, não escolhe ajudar, simplesmente ajuda. Os amigos, os familiares você gosta, convive, conhece, o próximo, você nunca viu e talvez nunca veja.
Enquanto um doa dinheiro, outro doa tempo para gastar da melhor forma esse dinheiro com o próximo. Cada um fazendo a sua parte.
Alimentar uma família de 4 pessoas de forma simples custa  R$ 70,00 por mês. Esse é o preço em média de 2 cestas básicas. Para algumas pessoas uma ida a menos no salão de beleza, para outras não sentir a dor e indignidade da fome.
Conhecimento, cultura, estudo, qualificação, tudo isso vem depois que a barriga está cheia. 
Algumas necessidades precisam ser supridas imediatamente e não nos cabe avaliar o motivo que levou aquela pessoa a depender de um prato de comida de outro, somente ajudar a diminuir esse sofrimento, da melhor forma que podemos.
Esqueça o governo, as autoridades… numa volta no quarteirão provavelmente você vai achar alguém que precisa de ajuda. E pode ser de uma roupa, uma comida, uma palavra, um olhar bondoso, um sorriso encorajador. Pensar no bem estar do outro só trás benefícios.
O tempo nós sempre teremos, principalmente se nos desligarmos das teias de distrações que nos cercam e tentam seduzir o tempo todo com atividades individuais e que não acrescentam nada na nossa vida de positivo. 
Acorde todos os dias e peça a força maior que nos move, que o ajude a ser alguém melhor para seus semelhantes. Pense diariamente em como você pode alegrar, confortar ou encorajar as pessoas ao seu redor com pequenos atos. Na sua casa, no seu trabalho, na vizinhança. Doe um pouco de você.
Ensine aos seus filhos o valor da caridade, estimule a bondade e benevolência e principalmente a piedade pelos que sofrem.
De certa forma estamos todos conectados, vibramos sentimentos e energias boas e ruins o tempo todo e essas sensações se misturam, formando um sentimento coletivo que influência a todos, ou seja, enquanto existir gente sofrendo não vai existir gente completamente feliz. 
Não esqueça que o paraíso que podemos usufruir é aqui e se realiza através de você e não algo póstumo.
Abraços Fabi

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