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domingo, 18 de abril de 2010

Criação x Educação - O Dilema dos pais

Ter filhos é uma decisão muito complexa, pena que a gente só tenha noção disso depois de tê-los. Antes só imaginamos pelo que ouvimos os outros falarem. Acredite, tê-los é muito mais complicado.

Algumas pessoas percebem isso, outras não percebem nunca. Acreditam que ter filhos deve ser visto como realizar um sonho, como dar continuação a sua linhagem ou arrumar uma boneca pra se divertir. Ou simplesmente uma coisa que aconteceu.

 Ter filhos consiste basicamente em duas atividades eternas: a criação e a educação.

Existe muita diferença em criar e educar.
Criar já dá um trabalho enorme, crianças precisam de estrutura, escolas, comida, roupas, aparelhos ortodônticos, brinquedos... Enfim, criança demanda um gasto grande.

Mas se compararmos o gasto da criação com o trabalho extenuante da educação, a criação é mole.  Educar é tão difícil que a maioria dos pais desiste logo que o filho nasce.

Vale lembrar que aquela coisa fofinha que cabe quase na sua mão quando nasce, vai ser um cidadão, um adulto, vai ter poder de decisão e mudança.
Pensando assim, quais valores devemos colocar nos nossos filhos durante toda a vida? O que devemos exigir e forçar que entre na cabeça deles e se incorpore definitivamente a suas mentes que valha a pena? Qual o compromisso que temos com um ser humano melhor? Entendemos que nossos filhos farão um mundo melhor ou pior através da educação que receberem?

Você já pensou que pode estar transformando seu filho num idiota?  Sabe aquela lista mental de idiotas, egoístas que voce já encontrou por aí? Todos esses idiotas são filhos de alguém e foram criados e mal educados.
Não aprenderam valores básicos, não foram apresentados a virtudes e nada de bom foi cultivado dentro deles, somente o egoísmo, a vaidade e  o mal caratismo. Mas com certeza em muitos casos, eles tiveram sempre o máximo de "amor" e mimos possíveis.

A decisão de ter filhos não pode se limitar a satisfazer o sonho de ver alguém com as características físicas parecidas com a nossa ou “um pedaço da nossa carne” e sim no impacto que esses seres trarão ao mundo em que vivemos. E sinceramente não precisamos de mais idiotas, egoístas e alienados atualmente.

Uma pessoa me disse um frase simples mas que ressoa na minha mente sempre: “ não se ensina o que se quer e sim o que se é”
Como diz meu marido, somos macacos e aprendemos por imitação. Se o pai tem um belo discurso, mas no dia a dia, nos detalhes, afrouxa o cerco e age de forma desonesta, pode ter certeza que o filho estará lá assimilando a lição nos mínimos detalhes.

Uma criança  egoísta e mal caráter vira o adulto babaca que encontramos por aí o tempo todo e reclamamos.

Ter filhos não é uma obrigação e a pessoa só deve optar por tê-los quando tiver certeza de que a vida vai mudar, seus planos vão ser afetados, ela não será prioridade e que está dando ao mundo mais um morador.

Se a pessoa não quiser esse compromisso todo é melhor que não tenha filhos, não faz mal, precisamos ser mais sinceros e francos sobre a procriação.

Sinceramente eu acho que deveria existir um cursinho para pais e todos os que tivessem interessados em ter filhos deveriam participar. Esse papo de que não existe fórmula para criar filhos é besteira. Todo ser humano precisa ser apresentado a virtudes, a moral, precisa aprender a pensar no outro, se sentir seguro e protegido sendo guiado por alguém que é mais experiente que ele.
Essa é a formula básica.
Quem tem que conduzir, impor regras, dar limites e principalmente exemplos são os pais e não os filhos.

A infância deve ser vista como um treino, um aprendizado da vida adulta. E eu não estou falando para criar mini adultos, mas sim não perder o foco de que eles passarão mais tempo, naturalmente, de vida como adultos e tomando suas próprias decisões do que indefesos e protegidos debaixo das nossas asas.
O que se aprende na infância é o que se leva como base para toda a vida.

...

O mundo vai uma porcaria porque nós não nos comprometemos com nada, nem mesmo com nossos filhos.
Aceitamos e limitamos na maior parte do tempo nossa ação, na criação, nos entupimos de trabalhos, não temos tempo pra nada, ficamos pouco tempo com eles e  compensamos com presentes, passeios e mimos desnecessários nossa ausência.

Falar não, orientar, impor limites, castigar ou punir se for o caso,  é visto como falta de amor. Quando na verdade, fazer todas as vontades de alguém que não tem experiência prática na vida  é na verdade a  maior falta de amor.
Dar tudo é muito mais fácil que negar ou não permitir certos hábitos ou comportamentos.

Quase todos os pais sofrem de fraqueza emocional aguda com relação aos seus filhos, acham que se forem  duros em certos momentos não serão amados, porque na verdade não dão amor o tempo todo e sim buscam não ter problemas maiores.

Cultivamos uma culpa interminável por não dar mais do que podemos, assim nos sentimos sempre devedores e quando teríamos que negar ou discordar, ficamos calados nos sentindo péssimos. Justificando as falhas dos nossos filhos nas nossas ausências pessoais e materiais, quando na verdade de fato, estamos ali e qualquer hora é hora pra consertar os erros que deixamos pelo caminho.
Não precisa de data especial, somente acordar e fazer diferente e claro começando por nós mesmos.

Melhore-se, assim, você vai melhorar os que estão abrigados nas suas asas e quando esses criarem suas próprias terão vôos tranqüilos e seguros, melhorando a cada paisagem que tenham contato.




Fabiana Pereira, 33 anos - é mãe de 3 meninas e constantemente se acha uma péssima mãe, apesar de saber que desempenha bem seu papel.
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