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segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Palmas para mim

Quando se é um astro de rock, um artista ou algo do gênero, voce se acostuma com os aplausos, e isso pode ser bem ruim em alguns casos é verdade. Mas eu não sou nada disso, canto mal, e só interpretei uma fada e um coelho nas peças da escola e com a idade que tinha todos batiam palma para qualquer coisa que eu fazia.

Mas hoje pela primeira vez (que eu tenha recordação) recebi uma salva de palmas em público.

O caso foi o seguinte:
Lá fui eu pras filas do banco, é fila pra entrar na agência, fila pra passar aquela maldita porta que só falta deixar velhinhos e senhoras nus para entrar na agência, fila para pegar a senha de atendimento e tal.
Quando completei meu circuito de filas, sentei confortavelmente e esperei meu número aparecer no painel. Quando olho pro lado vejo uma senhora bem gordinha usando uma bengala, prontamente levantei e a ajudei a sentar no meu lugar. A senhora muito educada me agradeceu. Até ai tudo normal pra mim.

Então, sinto uma cutucada no ombro, viro e um senhor me agradece e parabeniza pelo gesto. Ora bolas! Eu só dei o lugar pra uma senhora, sinceramente acho isso normal.
Mas parece que não é, o senhor começou a elogiar a mim, minha educação, minha gentileza e a falar o quanto a geração atual está perdida, vivendo pra levar vantagem e no cada um por si. Eu já meio roxa de vergonha, tentando minimizar o acontecido, vejo o senhor receber o apoio da fila de idosos na reclamação e escuto um outro falando assim:
- Tem que parabenizar sim, os jovens não querem saber de nada só deles mesmo, é raro ver uma jovem(obrigada pela parte que me toca) agir assim. Tinham mais de 20 pessoas sentadas, todas jovens que fingiram não ver a senhora, quando essa jovem viu levantou e cedeu seu lugar isso merece palmas hoje em dia. E puxou as palmas, sim, a fila do atendimento prioritário bateu palmas pra mim, no banco as 10h da manha.
Confesso que a condição de estrela da terceira idade me deixou constrangida, mas enfim eles terminaram e eu sorria sem graça.

Isso me fez pensar, eu concordo que a geração tá perdida, eles não tem moral, limites, educação.Realmente não pensam em ninguém, acho que não pensam nem neles, só nos seus prazeres, são suas próprias vitimas. Só que essa geração que tá por ai e que tá crescendo tá sendo criada por nós, e como vai ser quando ficarmos velhos?

Eu me assustei com a proporção do gesto, porque convenhamos, não era mais que a minha obrigação ceder o lugar a uma senhora com bengala, mas realmente, tinham mais de 20 pessoas sentadas e todas jovens, não tinha um idoso sentado e ninguém se mexeu, nem pra essa e nem pras outras senhorinhas bem fraquinhas que vi na fila em pé.

Na minha família, isso é habito, cresci vendo meu pai, tios, tias todos cedendo lugar e olha que são todos meios grossos, mas nesse quesito são bem educados. E perceber que isso não é um habito, que a gentileza está realmente sumindo e que as pessoas só pensam em si, até nas pequenas coisas me deu um alerta.
As minhas filhas sempre cedem lugar, em fila, no ônibus, sempre, é lei, desde pequenas aprenderam, mas acho que os amigos não.

Educar é tarefa difícil, gera castigos, cobranças, aborrecimentos, repetição centenas de vezes dos mesmo conceitos, faz você virar uma bruxa e coisas parecidas.
Só que não dá pra esquecer que aquela coisa fofa e pequena vai crescer e interagir com um mundo enorme e cheio de outras pessoas por ai, se queremos uma sociedade mais justa, educada e gentil, temos que ensinar isso em casa e desde pequenos.

Eu não me acostumei com os aplausos ou me acho melhor que alguém, só acredito que somos nós, os responsáveis pelos que vem depois e que só ensinamos de verdade pelo exemplo. Eu tive alguns quando pequena e hoje reproduzo, sendo exemplo pras minhas filhas, tanto em coisas boas como ruins, pra assim poder ensinar de verdade a como se viver melhor.

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